Cooperativas de crédito são alternativas a bancos

Associados têm direito a voto, independentemente do valor aplicado na cooperativa, e acesso a taxas de crédito e de investimento mais atrativas

SÃO PAULO - Com a compra de uma cota de capital, cujo valor mínimo é definido por estatuto, uma pessoa pode se associar a uma cooperativa de crédito e ter acesso a linhas de empréstimo e investimento com juros mais atrativos que as de bancos tradicionais.

Além disso, o cooperado, ao comprar a cota - espécie de participação no capital da instituição financeira, que pode variar de R$ 10 a um terço do capital total, dependendo da cooperativa -, já garante remuneração média de 100% do Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI) do valor investido, em caso de resgate.

Embora respondam ao Banco Central, as cooperativas de crédito, instituições financeiras criadas a partir da união de um grupo de pessoas, não recolhem compulsórios e não visam o lucro, de forma que podem apresentar opções de linhas de crédito mais vantajosas ao associado.

Taxas

No Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil (Sicoob), que reúne cooperativas de 25 estados e do Distrito Federal e conta com mais de 2,8 milhões de associados, os juros do crédito consignado variam entre 18,15% e 25,19% ao ano.

No sistema financeiro nacional, por sua vez, a taxa média para o consignado, em agosto, estava em 32,7% ao ano para funcionários do setor privado e de 24% ao ano para servidores públicos, segundo dados do Banco Central.

As linhas de investimento também oferecem mais retorno. Segundo o gerente de planejamento estratégico do Sicoob, Hugo Rodrigues Ferreira, o Recibo de Depósito Cooperativo (RDC) garante, em média, 100% do CDI - já os grandes bancos varejistas brasileiros dificilmente conseguem garantir esse percentual em aplicações como o Certificado de Depósito Bancário (CDB).

"As cooperativas pagam, em média, 11% ao ano no RDC, mas captam com juros de 18% ao ano no consignado, por exemplo. Então, como não têm compulsório e não visam ao lucro, elas ainda têm um 'spread' de 7%, que é reinvestido para os próprios cooperados", observou Ferreira.

Poder de voto

Outro diferencial das cooperativas de crédito é que todos os associados têm direito de voto e, independentemente do valor da cota que possuem, a participação nas decisões da instituição tem o mesmo valor.

"Por ser uma empresa administrada pelos donos para seus donos não precisa ter lucro exacerbado. Esse é um dos motivos para as taxas juros procurarem um preço justo", afirmou o diretor operacional do Sicoob, Francisco Silvio Reposse Júnior.

Participação

Os cooperados também têm direito a uma participação no resultado das "sobras" das instituições - nome adotado para o lucro proveniente das operações das cooperativas.

Segundo o superintendente da administradora de consórcio do Sistema de Crédito Cooperativo (Sicredi), Romeo Balzan, a participação nos resultados que cada cooperado terá depende do volume e a quantidade de recursos movimentados no período.

"Essa participação independe do valor da cota de capital da pessoa. Se ela movimentou mais dinheiro, terá uma participação maior", disse Balzan.

O superintendente também ressaltou que, diferentemente dos bancos tradicionais, as cooperativas de crédito não focam em uma linha de crédito específica, mas oferecerem as soluções de acordo com o que é solicitado pelos clientes.

Produtos

Assim como as instituições financeiras tradicionais, as cooperativas oferecem produtos como consórcios, previdência, cartões e poupança. Existem mais de 5,1 mil unidades de atendimentos de cooperativas de crédito - espécie de agências das instituições - espalhadas pelo Brasil, sendo que 2.235 pontos pertencem ao Sicoob e 1.306 pontos são da rede de cooperativas da Sicredi.

A maior parte dos clientes das cooperativas ainda são pessoas físicas, mas a participação das empresas está crescendo. Dados da Sicoob mostram que o crescimento de famílias na rede de cooperativas foi de 6,7% no primeiro semestre deste ano em relação seis primeiros meses do ano passado. Já o de pessoas jurídicas foi de 13,8% no período.

Resultados

A Sicredi fechou junho de 2014 com R$ 43,7 bilhões em ativos financeiros e patrimônio líquido de R$ 6,1 bilhões, contando com uma rede de 17 mil funcionários e 2,6 milhões de associados distribuídos em 11 estados do País.

Para Balzan, o maior diferencial das cooperativas de crédito é justamente a entrada em cidades de difícil acesso e a busca por desenvolver a região onde estão inseridas.

"O dinheiro que a cooperativa capta ela investe na própria região que ela opera. Os recursos de uma cooperativa do Rio Grande do Sul, por exemplo, vão ser investidos no próprio estado.

Diferentemente dos bancos, que podem captar no Nordeste e emprestar em São Paulo, por exemplo", disse.

Crescimento

A carteira de crédito do Sicoob teve uma evolução de 25,2% e chegou a R$ 29,1 bilhões no primeiro semestre deste ano, percentual superior ao apresentado pelo Sistema Financeiro Nacional (SFN), que foi de 12,1%. Em ativos o sistema atingindo a marca de R$ 47,9 bilhões, evolução de 26,1% em relação o mesmo período de 2013, enquanto no SFN o acréscimo foi de 8%.

O patrimônio líquido das cooperativas do Sicoob teve um crescimento de 18,5% e registrou R$ 10,1 bilhões no final desse semestre.

Fonte: Por Pedro Garcia para o Jornal DCI

Greve dos bancários não afeta funcionamento das cooperativas financeiras

A greve dos bancários, que teve início no último dia 30 em todo país, não atinge a abertura e as operações das cooperativas financeiras, que se tornam uma das alternativas àqueles que precisam de serviços financeiros e enfrentam dificuldades devido à paralisação da categoria.

Os clientes de instituições bancárias podem pagar contas de água, luz, telefone, boletos bancários, carnês, IPVA e todos os tributos com códigos de barra que ainda estejam no prazo de vencimento em qualquer um dos 2,2 mil pontos de atendimento das cooperativas do Sicoob, distribuídos em 25 estados e no Distrito Federal.

O Sicoob é o maior sistema financeiro cooperativo do país com mais de 2,8 milhões de associados. É composto por cooperativas e empresas de apoio, que em conjunto oferecem aos associados serviços de conta corrente, crédito, investimento, cartões, previdência, consórcio, seguros, cobrança bancária, adquirência de meios eletrônicos de pagamento, dentre outras soluções financeiras. Ou seja, tem todos os produtos e serviços bancários, mas não é banco. É uma instituição financeira cooperativa, onde os clientes são os donos e por isso os resultados são divididos entre os cooperados.

Banco Central altera regras nas transferências via TED

O Banco Central (BC) aprovou nesta segunda-feira (21), a circular 3.710 para emissão, liquidação e devolução de Transferência Eletrônica Disponível (TED).

A medida limita em 60 minutos o prazo máximo de devolução de uma TED, enviada com algum erro de identificação do destinatário ou com inadequação de finalidade, após o dinheiro ser recebido pela outra instituição financeira. A regulamentação anterior estabelecia apenas que essa devolução deveria ser feita “tempestivamente”, o que dava margem a diversas interpretações temporais. Na prática, a alteração entrará em vigor apenas em maio de 2015, pois as instituições precisam de um prazo de ajuste nos seus sistemas de tecnologia da informação.

Na TED, os recursos são creditados na conta no mesmo dia, diferente do DOC (Documento de Crédito), em que o valor é liberado apenas no dia útil seguinte. Para transferências interbancárias abaixo de R$ 1.000,00, é possível recorrer ao DOC, que têm valor limitado a R$ 5 mil por transação.

Este mês o valor mínimo para uma TED foi reajustado e caiu de R$ 1 mil para R$ 750. Essa é a quarta redução do valor da TED. Em 2010, o valor caiu de R$ 5 mil para R$ 3 mil, foi para R$ 2 mil em novembro de 2012, em março de 2013 para R$ 1 mil, e agora para R$ 750. Para evitar que o atrativo da TED gere uma demanda em excesso e sobrecarregue os sistemas de pagamento e de compensação das transações financeiras, é estabelecido um valor mínimo para realizar esse tipo de transferência.

De acordo com o BC, as medidas visam dar maior eficiência a TED, beneficiando os clientes das instituições financeiras que passam a contar com melhores possibilidades de transferências e maior segurança, na transferências para destino e finalidades incorretos.

Valor mínimo para TED será de R$ 750 a partir de julho

A partir de 4/7 as instituições financeiras irão reduzir o valor mínimo para uma Transferência Eletrônica Disponível (TED). O valor mínimo cairá de R$ 1 mil para R$ 750 conforme divulgado pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

Na TED, os recursos são creditados na conta no mesmo dia, diferente do DOC (Documento de Crédito), em que o valor é liberado apenas no dia útil seguinte. Para transferências interbancárias abaixo de R$ 1.000,00, é possível recorrer ao DOC, que têm valor limitado a R$ 5 mil por transação.

Essa é a quarta redução do valor da TED. Em 2010, o valor caiu de R$ 5 mil para R$ 3 mil, foi para R$ 2 mil em novembro de 2012, em março de 2013 para R$ 1 mil, e agora para R$ 750. Para evitar que o atrativo da TED gere uma demanda em excesso e sobrecarregue os sistemas de pagamento e de compensação das transações financeiras, é estabelecido um valor mínimo para realizar esse tipo de transferência.

Penhora on-line de contas é ampliada

Carl Olav Smith, juiz auxiliar da Presidência do CNJ: há Cooperativas de crédito entre os maiores bancos do Brasil

Uma saída encontrada por devedores para escapar da penhora on-line de conta bancária será fechada. O sistema Bacen-Jud - desenvolvido pelo Banco Central (BC) e que permite esse tipo de operação - passará a alcançar valores movimentados em Cooperativas de crédito, um segmento que cresceu muito e chamou a atenção do Judiciário. O problema, identificado há pelo menos cinco anos, será definitivamente solucionado em 2015.

"Há Cooperativas de crédito entre os maiores bancos do Brasil", afirma Carl Olav Smith, juiz auxiliar da Presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e integrante do Comitê Gestor do Bacen-Jud. O magistrado está se referindo ao Banco Cooperativo Sicredi e ao Banco Cooperativo do Brasil - Bancoob, que finalizaram 2013 com ativos totais de R$ 23,812 bilhões e R$ 18,112 bilhões, respectivamente.

As Cooperativas de créditos estão fora do Bacen-Jud porque as informações de seus clientes ainda não estão à disposição do Banco Central. A instituição, porém, deve até o fim do ano expedir regulamento para incluí-las no Cadastro de Clientes do Sistema Financeiro Nacional (CCS), de acordo com o juiz auxiliar.

E com essa inclusão no sistema até meados do próximo ano, passariam a receber ordens diretas para cumprir determinações judiciais, como ocorre hoje com os bancos públicos e privados. "É um caminho sem volta", afirma Smith, acrescentando que já há um representante das Cooperativas de crédito no Comitê Gestor do Bacen-Jud.

O sistema também ficará mais rápido, permitindo o bloqueio de valores em contas bancárias com o lançamento apenas dos oito primeiros números (raiz) do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). Hoje, é preciso digitar todos os 14 números. Com a mudança, será possível bloquear as contas da matriz de uma empresa e de cada uma de suas filiais. A mudança deve ocorrer em nove meses.

"Ganha-se agilidade. Impede uma empresa de burlar o sistema, transferindo recursos para uma filial", diz o advogado Rafael Gagliardi, sócio do Demarest Advogados. "É absolutamente lícito, já que as filiais não têm personalidade jurídica."

Em 90 dias, também será possível ao juiz delegar o manuseio do Bacen-Jud a servidores, como ocorre nos sistemas de busca de veículos (Renajud) e de informações da Receita Federal (Infojud). O acesso deverá ser feito por meio de certificado digital. Hoje é realizado mediante login e senha.

Atualmente, juízes têm acessado simultaneamente os sistemas de penhora on-line e de veículos, além de buscar informações da Receita Federal. Só em 2013, foram bloqueados R$ 24,4 bilhões em contas bancárias e enviadas 447,5 mil ordens judiciais de restrição de transferência, de licenciamento e de circulação de veículos, bem como a averbação de registro de penhora. Com a medida, credores e magistrados tentam acelerar as execuções, especialmente as fiscais.

A prática ganhou força depois de a 4ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidir, em julgamento inédito no ano passado, que é possível o bloqueio eletrônico de bens antes da citação do devedor, quebrando a ordem prevista no Código de Processo Civil (CPC).

Apesar das mudanças, empresas e pessoas físicas continuam usando a criatividade para escapar do bloqueio on-line, segundo o advogado Sergio Presta, sócio do Azevedo Rios, Camargo, Seragini e Presta Advogados e Consultores. Uma das saídas encontradas é a criação de empresa para controlar apenas recebimentos e pagamentos de um grupo. "O credor tem que descobrir que existe essa empresa e ir atrás", diz Presta, acrescentando que a penhora on-line virou a primeira opção em execuções. "O Bacen-Jud é um sistema que funciona contra o bom pagador. Infelizmente, eles pagam pelos maus", afirma.

Fonte: Valor | Por Arthur Rosa | De São Paulo
JoomShaper