São Paulo - Após reestruturação feita pelo Banco Central, as cooperativas de crédito brasileiras planejam aumentar a exposição junto à população, buscando construir uma imagem de solidez como a apresentada pelos grandes bancos, mas destacando seus diferenciais.

Embora, no Brasil, possuam uma fatia de apenas 2,33% do total de empréstimos do Sistema Financeiro Nacional, com uma carteira de crédito de R$ 73 bilhões, e 4,43% no total de depósitos (R$ 85,4 bilhões), as instituições cresceram a taxas mais expressivas que os bancos comerciais nos últimos anos.

Dados do Relatório de Inclusão Financeira do Banco Central mostram que, considerando apenas o crédito para as famílias, as cooperativas aumentaram em 128% sua carteira entre 2010 e 2014, enquanto os bancos expandiram suas carteiras em 76%.

Há ainda, no entanto, muito espaço para essas instituições. Representantes de cooperativas alemãs e canadenses ouvidos pelo DCI apontaram que, em seus países, a participação no crédito das instituições ultrapassa os 15% - no Canadá, 40% do total de financiamentos vêm do sistema de cooperativas.

"Hoje, o mundo está muito mais colaborativo, menos individualista. Nesse sentido, o cooperativismo é moderno e sustentável", observou Romeo Balzan, diretor de Produtos e Negócios do Banco Cooperativo Sicredi.

Um dos principais diferenciais das cooperativas em relação aos bancos tradicionais são os juros dos financiamentos. Enquanto a taxa média do mercado de um empréstimo pessoal, por exemplo, está em 120,4% ao ano, no Sicredi está em 45%.

Segundo Francisco Silvio Reposse Junior, diretor operacional do Sicoob Confederação, a formalização do Fundo Garantidor Cooperativo (FGCoop) - que protege os investimentos dos cooperados em até R$ 250 mil - proporcionará mais segurança à divulgação das instituições financeiras.

"Estamos utilizando muito o FGCoop para traçar as comparações com o mercado", disse.

Atuação regional

Criadas no Sul do País, as cooperativas cresceram apostando na atuação regional. Considerando a distribuição por região, 13,5% dos depósitos do Sul, por exemplo, estão nessas instituições - em Santa Catarina, a fatia detida pelas cooperativas é de 23%.

De acordo com Matthias Knoch, diretor do DGRV (Confederação das Cooperativas da Alemanha) para Brasil, a fórmula usada pelas cooperativas alemãs para crescer no país foi, justamente, a orientação local e regional e a proximidade com os micros, pequenos e médios empreendedores.

"[Nossos projetos são] apoiar as pequenas e médias empresas, que são responsáveis para mais de 90% dos empregos do país, e manter uma estratégia sólida e simples no negócio, de baixo risco, concentrado as necessidades dos seus clientes", explicou.

Na Alemanha, os bancos cooperativos têm 482 bilhões de euros emprestados - o que corresponde a, aproximadamente, 16,5% do total de crédito - contra 2,42 trilhões de euros dos bancos tradicionais.

As cooperativas canadenses, que detém de 40% do crédito do país, seguiram uma fórmula semelhante para crescer, conta Alain Leprohon, vice-presidente de Finanças do Desjardins Group, a maior cooperativa de crédito do Canadá.

"Há 10 anos, as instituições financeiras não eram acessíveis a todos. Nós começamos em regiões menores, ajudando os pequenos negócios e as pessoas que não tinham acesso a bancos", lembrou Leprohon.

"Nós perseguimos crescimento de dois dígitos em todas as regiões. Com as mudanças do Banco Central, a expansão deve ser impulsionada", diz o presidente da Unicred, Leo Trombka.

Fonte: Pedro Garcia - DCI
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